Não sinto que essas coisas tenham acontecido. As pessoas continuam me tratando da mesma forma, como a amiga querida, a mãe dedicada, a profissional que se envolve com o trabalho mais do que muitas vezes deveria, a chata certinha etc.
E as pessoas que não gostavam de mim? Continuam não gostando.
Diga-se de passagem, teve gente que não teve a mínima pena de me puxar o tapete quando eu estava em pleno tratamento, super debilitada. Olhando por outro ângulo, isso até pode ser um bom sinal: não quero ser tratada com diferença, nem vista como doente.
Eu não sou doente. Falando francamente: não me sinto doente, não tenho sintomas de doença, tenho uma excelente qualidade de vida, uma família linda, um bom trabalho e sou muito feliz. Definitivamente, não sou uma pessoa por quem se deva sentir pena.
Tive a infelicidade de ter sido contaminada com o vírus da hepatite C quando ainda era criança e por isso preciso tomar cuidados com o meu fígado (não que todas as pessoas não devam ter esse cuidado também...), fazer acompanhamento com um bom especialista e ter fé.
Fé na evolução da ciência, nos novos medicamentos que estão sendo pesquisados, na cura.
Se eu não tenho medo?
É claro que tenho!!! Minha filha tem dois anos e quero vê-la crescer!
Se quero sofrer de novo todos os efeitos colaterais do tratamento?
Não... e sim, porque se é esse o meio que tenho para eliminar o vírus do meu organismo, passo por ele quantas vezes forem necessárias (mas espero, sinceramente, que a próxima seja a última, porque ninguém merece!).
Acho que algumas pessoas (poucas, felizmente) tem preconceito sim. Mas é, como em qualquer tipo de preconceito, pura ignorância. Eu já disse, e repito, que não pretendo doar sangue pra ninguém. Então, não precisa ter medo de mim, ok? (rs)
O meu recado pra quem também tem esse vírus ou qualquer outro problema de saúde: mantenha o ânimo e procure ser feliz a cada dia. E pra quem não tem: mantenha o ânimo e procure ser feliz a cada dia - porque cada um tem os seus "monstrinhos", sejam em forma de vírus ou não.
Ajude a divulgar a hepatite C, uma doença grave que atinge 4 milhões de brasileiros, sendo que 95% não sabem que estão contaminados.
Não custa fazer o exame.
O que custa (e MUITO caro) é deixar o vírus ir lentamente (e silenciosamente) acabando com seu fígado.
Não custa fazer o exame.
O que custa (e MUITO caro) é deixar o vírus ir lentamente (e silenciosamente) acabando com seu fígado.




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